“Nosso cinema nasce aqui”, diz cineasta que abriu Mostra Olhar do Ceará

Com 10 filmes exibidos nesta sexta-feira, 17, a Mostra Olhar do Ceará segue até a próxima terça, 21, sempre a partir das 14h30min, no Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco

“Nosso cinema nasce aqui”. A frase que encerra o curta-metragem “Como Chegamos Aqui“, de Arthur S. Gadelha, reproduzida pelo diretor após as sessões, define bem a abertura da Mostra Olhar do Ceará. Narrando a experiência de um grupo de amigos que imaginam um roteiro, o filme abriu, fora da competição, as exibições no 26º Cine Ceará, nesta sexta-feira, 17.

Poster-Oficial-Como-Chegamos-AquiO debate realizado após a exibição dos 10 primeiros filmes mostra o cenário experimental que os novos realizadores cearenses desbravam. Filmado em quatro madrugadas, o curta de Gadelha brinca com gêneros como comédia e terror para descobrir o fazer cinematográfico. “Esse ainda não é o nosso cinema”, aponta. “Os clichês fazem parte da própria proposta. O filme é uma construção, por isso foi importante escancarar os clichês”.

Houve também quem apostasse na afetividade como fio condutor da narrativa, como foi o caso de “Artur“. O filme que abriu a segunda sessão discute adolescência, família e as descobertas que permeiam esse caminho.

Já “Ponte Velha“, de Germano de Sousa, trouxe as urbanices do Centro de Fortaleza e da comunidade do Poço da Draga para despertar as memórias de dois amigos que se reencontram após oito anos. Com os principais cartões-postais da região como cenário, a ficção conta uma história autêntica que cresce a partir do improviso. O final, por exemplo, foi decidido pelos próprios atores Eff Mendes e Daniel Rocha a partir de três opções indicadas pelo roteiro de Germano.

Em “Botes Bastardos“, Pedro Cela projeta a construção de um bote como busca pelas histórias do litoral cearense, além de debater a importância da pesca para as famílias que vivem da prática. As imagens foram captadas durante quatro dias, em Camocim, a 379,3 km de Fortaleza.

Feito sem patrocínio, o documentário retrata o carpinteiro e artesão Chico Elias, falecido semanas após a gravação. “Acaba sendo uma reflexão sobre o trabalho e sobre os valores da geração dele (Chico). É um ofício que tende a acabar”, sugere. “Minha família tem raízes bem fortes lá, vou desde criança. Isso me despertou imageticamente”.

Contemplado pelo Edital de Incentivo as Artes da Secultfor, “Momento, Vício e Boa Sorte“, produzido pelo Coletivo Pode Crer, com direção de Diogenes Lopes, centraliza sua história em crianças. “A comunidade agradeceu pelo filme como uma intervenção artística no local”, lembrou Diogenes. O curta foi gravado em locais da comunidade Goiabeiras, na Barra do Ceará.

Pela manhã, cerca de 150 idosos assistiram ao longa Que horas ela volta?, na Mostra Melhor Idade. Após a Mostra Olhar do Ceará, a programação continuou no Cineteatro São Luiz com as mostras competitivas de curta e longa-metragens. A Mostra Ibero-Americana apresentou o mexicano “Epitafio”, de Yulene Olaizola e Rubén Imaz.

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