‘Pra Frente o Pior’, um espetáculo que foge à obviedade

“Convocamos vocês para uma atividade em cumplicidade, para caminhar juntos de mãos dadas por muito tempo, experimentando sensações não óbvias a partir do óbvio, e talvez do inútil, sem sentir-se inútil”, convida Gyl Giffony, porta-voz da Inquieta Cia de Teatros, para assistir ao espetáculo Pra Frente o Pior. O grupo se apresenta no Theatro José de Alencar, no Centro de Fortaleza, nos próximos dias 21 e 28 deste mês de abril.

A criação é fruto da pesquisa “Um corpo em final de festa”, desenvolvida em interlocução com o coreógrafo Marcelo Evelin e com colaboração dramatúrgica de Thereza Rocha. A pesquisa teve parte de seu desenvolvimento realizada dentro do Laboratório de Pesquisa Teatral do Porto Iracema das Artes.

Pra frente o pior - Divulgação
Imagem: Luciana Gomes

Apostando no diferencial como modelo encantador, o artista Andrei Bessa, parte do elenco, diz que a dramaturgia inova ao ser “um processo criativo sem uma figura central na criação, ou seja, sem um encenador, diretor, dramaturgo ou coreógrafo. O espectador é convidado a ser um co-criador”.

“Ele nasceu de estudos e práticas relacionadas a uma dramaturgia que parte do corpo, ressoando além”, conta Bessa. “Esta característica dá ao trabalho uma referência transitória, explorando os limites de linguagens artísticas e suas convenções”. Além dele e Giffony, também fazem parte do espetáculo os artistas Andreia Pires, Geane Albuquerque, Lucas Galvino e Wellington Fonseca.

Porta-voz da Inquieta Cia, Gyl Gyffony falou ao Repórter Entre Linhas sobre a desenvoltura do espetáculo. Leia a conversa completa. E bom espetáculo!

Como nasceu a ideia do “Pra Frente o Pior”?

Gyl: A montagem surgiu de encontros iniciais entre nós da Inquieta, reuniões de planejamento e a clareza de um evidente desejo de iniciar uma nova pesquisa e possivelmente um novo espetáculo. Nós fomos identificando que essa característica nos era comum, em experiências diversas. A opção pela direção também coletiva veio depois, assim como o desejo de agregar mais três atores-encenadores, performers ao projeto, que no caso foram o Lucas Galvino, o Wellington Fonseka e a Amália Morais, posteriormente substituída pela Geane Albuquerque. Estava com a gente também no começo a Themis Memória, além do Silvero que, ambos, por agenda não puderam continuar.

Dessa decisão por um processo de criação coletiva, todos nós dentro de sala de ensaio lançamos diferentes proposições, até chegarmos a um germe criativo que teve como enunciado “um corpo em final de festa”, esse foi o dispositivo para a criação.

À época, optamos por participar do Laboratório de Pesquisa Teatral da Escola Porto Iracema das Artes, mas o início do trabalho é anterior. Foi adensado e revisto pelos encontros na Escola, principalmente com a equipe do processo de pesquisa e montagem, como Marcelo Evelin, Thereza Rocha, Uirá dos Reis, Isac Bento e Caroline Holanda.

Como assim o espectador é um co-criador? Ele participa do ato (é ator)?

Gyl: O espectador é um agente compositor por meio do seu olhar e da sua construção própria, porque é impossível dimensionar capacidades e visões. A integração e participação da cena não se dá por uma convocação efetiva à participação por meio de uma interação, mas um convite já de início ao estar junto, na construção do olhar e das leituras possíveis entre quem faz e quem vê.

Por que apostar em uma referência transitória? Como o público reage à novidade?

Gyl: A meu ver, também semelhante a outras dramaturgias, nesse trabalho emerge uma forte ideia de “dramaturgia de possíveis”, que pode talvez este em uma abertura pulverizada sobre o que a obra trata. Um dinamitar da referência narrativa, a desestabilização de uma história ou mensagem. Uma proposição para, no estar no presente, no efetivo fazer e ver a cena, cada um possa contar, fazer, construir sua feitura ou visão sobre o acontecimento, sobre a obra artística apresentada. A possível novidade de insistir ou fazer o mesmo, de esgotar o mesmo, até achar, quem sabe, a inutilidade, até sentir que o repetir não é só redundante. São muitos possíveis a cada noite, a cada encontro, a cada apresentação.

No repertório da companhia também está o espetáculo Metrópole, já discutido pelo grupo aqui no Repórter Entre Linhas.

Serviço

Quando: Dias 14, 21 e 28 de abril às 19 horas
Valor: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)
Local: Theatro José de Alencar (R. Liberato Barroso, 525 – Centro)
Ingressos on-line: http://migre.me/tpblr
Contato/Theatro José de Alencar: (85) 3101.2564/2567

Por Glauber Sobral
antonioglaub@gmail.com

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