Por que Indiana, Danilo?

Buscar opiniões sobre livros na internet se tornou hábito de muitos leitores. Não à toa existe um verdadeiro mercado que consiste, basicamente, em discutir literatura. Nesse meio, o Cabine Literária se destacou e acabou virando referência. O canal, criado por Danilo Leonardi, conta com vários colunistas e já passou até por mudança editorial para se renovar. Mas e se o jogo virasse e o crítico se tornasse escritor?

Leonardi quebrou a barreira que separa o público do artista e fala sobre Literatura com a autoridade de quem já esteve nos dois lados. Aos 29 anos e com o primeiro romance publicado, o escritor e vlogger conversa com o Repórter Entre Linhas sobre a experiência de escrever sobre assuntos que precisam ser discutidos nas escolas.

Imagem: Divulgação/ Lúcia Robertti
Imagem: Divulgação/ Lúcia Robertti

Por que escrever?

Danilo Leonardi: Tem que existir uma vontade muito grande de transmitir experiências, tanto no sentido de apreciar vivenciá-las quanto no sentido de se colocar no lugar do outro e lembrar que pra cada um a experiência vai ter um significado diferente.

Você sofreu bullying na adolescência e isso inspirou o “Por que Indiana, João?”, além do caso do australiano Casey Heynes. Que outras referências ajudaram a construir a narrativa?

Danilo: No livro também cito o massacre do Realengo, mas diversas entrevistas (algumas feitas por mim, outra não) ajudaram a compor o cenário.

E o quanto sua própria vivência influenciou a narrativa?

Danilo: Completamente. Não existe narrativa que não tenha sido completamente influenciada pela vivência da pessoa que a escreveu.

Qual a memória mais forte dessas experiências?

Danilo: A cena de virada do livro, em que João revida o ataque do bully, foi uma cena real, exceto pela parte da câmera digital que era uma raridade na época.

Por que Indiana João“Indiana” é um livro para ser lido nas escolas. Você precisou adaptar a ideia original para chegar nesse tipo de leitura?

Danilo: Acredito que não. Meu editor cortou alguns palavrões, mas a essência está toda ali.

Como foi o processo de publicação do livro?

Danilo: Eu já tinha um relacionamento com o editor e a dona da casa, então apresentei a proposta e fui aceito imediatamente.

Quais os desafios para quem quer publicar seu primeiro livro?

Danilo: Entender que o mercado editorial não é filantropia. Editoras não estão nadando em dinheiro, então para ser vendido comercialmente é necessário pensar comercialmente. Isso não significa mudar a mensagem, mas muitas vezes o formato em que essa mensagem virá.

Você é famoso na internet por ter um canal que se especializou em resenhas literárias e na discussão acerca da literatura. Houve um sentimento de responsabilidade em cima disso quando você foi publicado?

Danilo: Não. Eu sempre procuro ser muito autêntico em tudo que faço, então a única pressão a que cedo é a minha.

O Cabine Literária soube se reinventar. Qual a importância da dinâmica atual para a discussão da literatura?

Danilo: Eu não tenho certeza. Reinventamos o Cabine, mas a quantidade de pessoas assistindo ficou a mesma. Estou começando a ouvir meus próprios conselhos e reconhecendo que o gosto pela literatura não vai aumentar de maneira mágica. Vai ser um processo lento e doloroso do qual eu provavelmente vou passar a contribuir mais como escritor do que outra coisa.

Qual a importância dos youtubers para a democratização da leitura?

Danilo: É um trabalho de formiguinha. Trazem muita gente pra literatura, apenas não o suficiente pra manter um vlog temático por muito tempo. Todos os grandes booktubers estão diversificando, porque entenderam que existe um limite.

(…) para ser vendido comercialmente é necessário pensar comercialmente. Isso não significa mudar a mensagem, mas muitas vezes o formato em que essa mensagem virá”.

Já ouvi muita gente dizer que pegou gosto pela leitura com os Young Adults, assim como muitos começaram com sagas. Para você, isso limita o alcance dos gêneros ou é o contrário?

Danilo: Acredito que num mundo em que a leitura é tão elitizada, com tanta gente que tem preguiça de ler legenda no cinema, deveríamos soltar fogos de artifício cada vez que alguém começa a ler com Harry Potter. Já tem até filme.

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